O preço do cimento em São Tomé e Príncipe mantém-se instável e sem controlo efectivo, prejudicando pequenos empresários e cidadãos que tentam construir ou concluir obras. Os valores chegaram a atingir 440 dobras por saco, e embora tenha havido uma ligeira descida recente, muitos consideram os preços ainda demasiado elevados para a realidade económica do país.
Especulação e falta de fiscalização no mercado do cimento
Segundo o empresário António Quaresma, o problema está enraizado numa prática especulativa que ninguém parece querer travar. A ausência de fiscalização permite que pessoas sem empresa registada — incluindo, segundo denúncia, políticos e altos funcionários — participem na compra e revenda do produto, inflacionando os preços. Quem paga impostos e trabalha dentro da legalidade fica, invariavelmente, em desvantagem. O vendedor Luís Lopes confirma que o saco de cimento, que chegou a custar 430 dobras, baixou para 320, mas reconhece que ainda está longe de ser acessível para muitas famílias. No terreno, o impacto é visível: obras paradas, projetos adiados e famílias sem capacidade de avançar com a construção das suas casas.
O que isto significa para a diáspora santomense
Para os santomenses que vivem no exterior e que apoiam financeiramente familiares em São Tomé, esta instabilidade tem consequências directas. Muitos da diáspora investem nas poupanças de uma vida para construir ou ampliar a casa da família em STP. Quando os preços dos materiais sobem sem aviso e sem regras claras, esses planos ficam comprometidos. O dinheiro enviado não chega para o previsto, os prazos prolongam-se e a frustração aumenta. Acompanhar de longe uma obra já é difícil — fazê-lo num mercado assim é ainda mais desgastante.
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Um mercado que precisa de regras — e de voz
António Quaresma defende que o Estado deveria fiscalizar a importação e identificar quem compra e quem tem empresa formalmente constituída. Sem esse controlo, diz, “haverá especulação e anarquia”. É uma posição que muitos partilham, mas que ainda aguarda resposta das autoridades. Para a diáspora santomense, este tema não é apenas económico — é também emocional. A casa em STP representa raízes, família e o fruto de anos de trabalho longe de casa. Que esse sonho fique refém de um mercado desregulado é algo que nenhum santomense, dentro ou fora do país, deveria ter de aceitar como normal.
📷 Imagem: cortesia de Gleba TV — todos os direitos reservados ao autor original.
