A empresa angolana CIMENFORT chegou a São Tomé e Príncipe com um investimento privado de 10 milhões de dólares para instalar uma unidade de processamento de cimento no bairro Saton, nos arredores da cidade de São Tomé. A fábrica promete entrar em funcionamento dentro de oito meses, produzir cimento a preços mais acessíveis e criar 100 postos de trabalho para são-tomenses. Este é o primeiro sinal concreto do regresso do capital privado angolano a STP após anos de afastamento motivado por insegurança jurídica.
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📌 Em resumo
- A CIMENFORT, empresa angolana de cimento, instala-se em 6 hectares no bairro Saton, São Tomé
- Investimento total de 10 milhões de dólares; produção prevista em oito meses
- Capacidade de 2 mil toneladas/mês para o mercado interno e 12 mil toneladas/mês para exportação
- A unidade utilizará pozolana local como matéria-prima complementar ao calcário vindo de Angola
- Criação de 100 empregos directos para cidadãos são-tomenses
Um regresso aguardado — o que está por trás deste investimento
Desde 2022, a insegurança jurídica em São Tomé e Príncipe tornou-se um dos principais obstáculos ao investimento estrangeiro, afastando em particular os capitais angolanos que outrora tiveram presença relevante no arquipélago. O projecto da CIMENFORT, segundo o responsável da empresa em STP, Mário Victor, já estava em discussão há três anos — atravessou dois governos sem avançar. A entrada em obra é, por isso, mais do que um investimento: é um sinal político e económico de que algo está a mudar.
O Ministro de Estado da Economia e Finanças, Gareth Guadalupe, acompanhou a visita às obras na companhia do embaixador de Angola, afastando preocupações ambientais com o argumento de que o cimento é cozido fora do país — em Angola — e que a pozolana extraída localmente é uma matéria-prima natural já reconhecida internacionalmente pela sua resistência e qualidade.
Para a diáspora são-tomense que acompanha de perto a evolução do país, este investimento representa uma oportunidade concreta: mais emprego, materiais de construção mais baratos e a possibilidade de STP tornar-se um exportador neste sector.
Impacto prático — o que muda no dia-a-dia em STP
O impacto mais imediato será na disponibilidade e no preço do cimento no mercado são-tomense, historicamente dependente de importações e sujeito a rupturas de stock. Com produção local, espera-se maior estabilidade no abastecimento e uma descida dos preços para o consumidor final — o que beneficia directamente quem está a construir ou a renovar casa em STP.
| Indicador | Situação actual | Com a CIMENFORT |
|---|---|---|
| Fonte de abastecimento | Importação total | Produção local + importação |
| Produção mensal (mercado interno) | — | 2 000 toneladas |
| Capacidade de exportação | — | 12 000 toneladas/mês |
| Postos de trabalho criados | — | 100 empregos directos |
| Prazo previsto para início | — | 8 meses |
Perguntas frequentes
O que é a pozolana e porque é importante para este projecto?
A pozolana é uma matéria-prima vulcânica que existe naturalmente em São Tomé e Príncipe. É utilizada como componente na produção de cimento, conferindo-lhe maior resistência. A sua extracção local reduz os custos de produção e valoriza os recursos naturais do arquipélago.
Este investimento vai mesmo baixar o preço do cimento em STP?
De acordo com o responsável da CIMENFORT, a produção local permitirá eliminar parte dos custos de importação, o que deverá reflectir-se numa descida dos preços no mercado interno. A concretização dependerá do cumprimento do prazo de oito meses e do arranque efectivo da produção.
Quem está a construir casa em STP deve esperar por este cimento para comprar?
O início de produção está previsto para dentro de oito meses. Se a sua obra não for urgente, poderá valer a pena aguardar por preços potencialmente mais competitivos. Em qualquer caso, antes de investir num imóvel ou iniciar uma construção em STP, conhecer o valor real do seu activo é sempre o primeiro passo.
Conclusão
O regresso do investimento privado angolano a São Tomé e Príncipe — concretizado neste projecto da CIMENFORT — é uma boa notícia para a economia do arquipélago e, em particular, para quem tem ligação ao mercado imobiliário e à construção no país. Mais oferta, preços mais baixos e novos empregos são consequências esperadas. Para a diáspora são-tomense, este é também um momento para reflectir sobre as oportunidades que STP volta a oferecer — e para tomar decisões informadas sobre o seu património no arquipélago.
📷 Imagem: cortesia de Téla Nón — todos os direitos reservados ao autor original.
