A terceira edição da feira “Mais Alimento”, promovida pelo Ministério da Agricultura, Pescas e Desenvolvimento Rural de São Tomé e Príncipe, registou uma adesão massiva no Dia Mundial do Trabalhador. O evento confirmou o interesse crescente da população pelos produtos agrícolas locais, mas expôs um problema recorrente: a subida dos preços ao longo do dia, impulsionada por revendedores informais conhecidos como palaies.
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📌 Em resumo
- A terceira feira “Mais Alimento” decorreu no Dia Mundial do Trabalhador e reuniu centenas de consumidores, agricultores e criadores.
- Os preços de produtos como matabala, tomate e cenoura subiram significativamente ao longo do dia devido à revenda informal.
- O Governo apresentou barcos de fibra de vidro para modernizar o setor das pescas e substituir as tradicionais pirogas de madeira.
- Foi introduzido arroz biológico em fase experimental, desenvolvido em parceria com a China, comercializado a cerca de 25 dobras por quilo.
Uma feira com vida — e com contradições
Desde as primeiras horas da manhã, o espaço da feira encheu-se de movimento. Agricultores e criadores trouxeram produtos frescos e diversificados, e os consumidores responderam com entusiasmo. O Governo faz uma avaliação globalmente positiva: a procura existe, a produção nacional está a crescer, e o programa “Mais Alimento” está a cumprir o seu papel de dinamização do setor agrícola.
No entanto, a realidade do terreno revelou tensões. À medida que o dia avançava, os preços foram subindo — não apenas por especulação, mas também porque, como explicou a vendedora Raquel Nascimento, “o preço no campo também está alto”. Ou seja, o problema não é apenas de revenda: há custos de produção que pressionam os valores finais e que precisam de ser endereçados de forma estrutural.
Para a diáspora santomense, acompanhar estas dinâmicas é importante. Perceber o que está a mudar no país — o que cresce, o que ainda falha — ajuda a tomar decisões mais informadas, seja para quem planeia regressar, investir ou simplesmente manter-se ligado às raízes.
Impacto e relevância prática
Além da questão dos preços, esta edição da feira trouxe novidades concretas com impacto a médio e longo prazo. A apresentação dos barcos de fibra de vidro é um sinal claro da aposta do Governo na economia azul: embarcações mais seguras, mais duráveis e mais eficientes para os pescadores santomenses. É uma modernização que pode transformar o setor das pescas e melhorar as condições de vida de muitas famílias.
O arroz biológico, ainda em fase experimental e desenvolvido com apoio da China, é outra aposta interessante. Não se trata apenas de produzir mais — trata-se de produzir melhor. A qualidade alimentar está no centro desta iniciativa, o que pode representar um diferencial importante para o mercado local e até para exportação futura.
| Produto/Iniciativa | Detalhe |
|---|---|
| Arroz biológico | ~25 dobras/kg (fase experimental, parceria com a China) |
| Barcos de fibra de vidro | Substituição das pirogas de madeira; foco na segurança dos pescadores |
| Produtos hortícolas | Preços subiram ao longo do dia devido à revenda informal (palaies) |
Perguntas frequentes
O que são os palaies e qual é o seu impacto na feira?
Os palaies são revendedores informais que compram produtos a preços baixos e revendem no mesmo espaço por valores mais altos. Este fenómeno faz subir os preços ao longo do dia, prejudicando os consumidores que chegam mais tarde à feira.
O programa “Mais Alimento” já está a ter impacto real na agricultura santomense?
Segundo o Governo, sim. A forte adesão às três edições realizadas até agora demonstra o potencial agrícola do país e o interesse crescente da população por produtos locais. No entanto, os desafios com os preços e os custos de produção mostram que ainda há trabalho a fazer.
O arroz biológico já está disponível para compra?
Sim, mas ainda em fase experimental. Foi comercializado nesta edição da feira a cerca de 25 dobras por quilo, desenvolvido em parceria com a China.
Conclusão
A feira “Mais Alimento” é um reflexo do que São Tomé e Príncipe está a construir: um setor agrícola mais dinâmico, mais diversificado e com mais qualidade. Os desafios existem — e são reais —, mas os sinais de progresso também estão lá. Acompanhar estas iniciativas de perto é uma forma de estar ligado ao que realmente muda no país, e de reconhecer o trabalho de quem cultiva, pesca e alimenta São Tomé e Príncipe todos os dias.
📷 Imagem: cortesia de Gleba TV — todos os direitos reservados ao autor original.
