Os agricultores e horticultores de Planca II, no distrito de Lobata, continuam a apostar na terra como principal meio de subsistência. A comunidade produz cacau biológico, banana, mandioca e hortaliças, enfrentando desafios como ataques de animais, chuvas intensas e falta de água canalizada. Apesar das dificuldades, a determinação mantém-se viva e a esperança num maior apoio institucional cresce.
🔹 Pagamento predial
Solicite este serviço a partir de qualquer país, de forma simples e segura.
📌 Em resumo
- A comunidade de Planca II, em Lobata, dedica-se ao cultivo de cacau biológico, banana, matabala, mandioca e hortaliças
- O agricultor Dailú Lopes destaca o cacau como fonte de rendimento compensadora, capaz de atrair jovens para o sector
- Os ratos nas plantações de cacau biológico e os animais soltos na comunidade são os principais factores de perda de produção
- As alterações climáticas e a falta de água canalizada agravam as condições de produção hortícola na região
Uma comunidade que vive da terra — e não desiste
Em Planca II, a agricultura não é apenas uma actividade económica. É uma herança, uma identidade e, para muitos, uma vocação. Dailú Lopes aprendeu a cultivar cacau com os seus pais desde pequeno. Hoje, faz dessa tradição o seu sustento e orgulho. Para ele, o cacau biológico é um produto valorizado, mas que exige rigor: sem químicos, sem atalhos, respeitando cada etapa do processo — da colheita à triagem.
Edney Agostinho e Jerdiley Tavares partilham a mesma paixão pela terra, dedicando-se ao cultivo de banana, matabala, mandioca e hortaliças há muitos anos. São agricultores experientes que conhecem bem o ritmo das estações e os caprichos do clima. Mas conhecem também as frustrações de ver o trabalho de meses destruído em poucos dias.
A época alta de produção de cacau começa em março, mas a colheita varia conforme os picos do ano. Esta sazonalidade torna ainda mais urgente o apoio externo para estabilizar o rendimento das famílias ao longo do ano inteiro.
Impacto e relevância prática
Os desafios apontados pelos agricultores de Planca II não são novos, mas continuam sem resposta concreta. Os animais criados soltos na comunidade invadem e destroem as plantações com frequência. As queixas já foram feitas — e o problema persiste. A chuva excessiva, agravada pelas alterações climáticas, prejudica especialmente as hortaliças, culturas mais sensíveis à irregularidade meteorológica.
A ausência de água canalizada é outro obstáculo de peso. Sem este recurso básico, a irrigação fica dependente das chuvas, o que torna a produção imprevisível e vulnerável. Os agricultores são claros: com melhores condições, a comunidade produziria mais, geraria mais rendimento e contribuiria de forma mais expressiva para a economia local e nacional.
Perguntas frequentes
O que é o cacau biológico e por que razão é importante para Planca II?
O cacau biológico é cultivado sem recurso a produtos químicos, o que garante maior qualidade e valorização no mercado. Em Planca II, os agricultores seguem estas regras rigorosamente, tornando o produto mais competitivo — mas também mais vulnerável a pragas como os ratos, que não podem ser combatidos com pesticidas.
Quais são os principais obstáculos à produção agrícola em Planca II?
Os agricultores apontam três desafios principais: a destruição das plantações por animais soltos na comunidade, o impacto das chuvas intensas nas hortaliças e a falta de água canalizada para irrigação. Juntos, estes factores limitam o volume e a regularidade da produção.
Como pode a diáspora de São Tomé e Príncipe apoiar os agricultores locais?
A diáspora pode contribuir de várias formas: desde o apoio financeiro a projectos agrícolas familiares, até à facilitação de contactos comerciais e à regularização de propriedades e terrenos agrícolas. Manter os assuntos administrativos em dia — mesmo à distância — é uma forma concreta de proteger e valorizar o património familiar em STP.
Conclusão
Os agricultores de Planca II dão uma lição de resiliência a todo o país: trabalham com orgulho, enfrentam obstáculos reais e não desistem. O que pedem não é muito — água, segurança nas plantações e apoio institucional. Para a diáspora santomense, acompanhar e apoiar estas realidades é também uma forma de permanecer ligado à terra e ao futuro de São Tomé e Príncipe.
📷 Imagem: cortesia de rstp rss feed — todos os direitos reservados ao autor original.
